Estamos no Agosto Dourado, mês que reforça a importância da amamentação, mas que também nos convida a falar sobre as dificuldades que podem surgir nesse período. Amamentar deve ser uma experiência positiva, porém isso não significa ignorar a dor ou responsabilizar a mulher quando algo não acontece como o esperado.
Entre as complicações que podem acontecer está o abscesso mamário, condição que gera dor e exige avaliação especializada, podendo demandar medicamentos ou drenagem. Muitas vezes, ele é associado apenas à pega incorreta, ao esvaziamento inadequado da mama ou à entrada de bactérias. No entanto, é preciso ampliar esse olhar.
O puerpério costuma ser marcado por privação de sono, estresse, cansaço e sobrecarga emocional. Esses fatores podem interferir na ejeção do leite e favorecer sua estase, contribuindo para processos inflamatórios. Cuidar dessa mulher significa compreender não apenas a mama, mas tudo o que ela está vivendo.
Outro ponto de atenção é o uso excessivo ou inadequado de bombas extratoras. A tentativa de aumentar a produção ou formar grandes estoques de leite, muitas vezes estimulada pelas redes sociais, pode causar traumas nos ductos, edema e hiperlactação.
Diante de um abscesso, não basta perguntar qual bactéria provocou a infecção. É necessário entender o que está acontecendo com essa mulher. No mês dedicado à amamentação, apoiar também é acolher, orientar e colocar a saúde materna no centro do cuidado.
Dra. Carolina Rosa
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