O fator “ser mulher” vem atrelado a uma série de obrigações que a sociedade nos impõe desde que nascemos. É a mulher quem cuida, quem zela, quem se responsabiliza pelo bem-estar de todos à sua volta. Uma responsabilidade que ela nem precisa assumir formalmente, pois o mundo pressupõe que, sendo mulher, cuidar é inato, é obrigação.
É uma sobrecarga que muitas vezes ninguém vê. A mulher trabalha, cuida da casa, dos filhos, dos pais, organiza a rotina da família e ainda sente que precisa estar sempre bem. Essa carga física e, principalmente, mental torna-se tão comum que muitas passam a acreditar que viver cansada é normal. Mas não é.
Quando o estresse se torna constante, o corpo e o cérebro começam a dar sinais: irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações do sono, perda de prazer nas atividades, crises de ansiedade, dores pelo corpo e esgotamento.
Em alguns casos, esses sintomas podem estar relacionados à ansiedade, à depressão ou até revelar um TDAH que permaneceu sem diagnóstico por muitos anos, especialmente entre mulheres que desenvolveram estratégias para mascarar os sintomas. Por isso, é fundamental avaliar a saúde mental de forma individualizada.
O tratamento pode envolver diferentes abordagens e, quando indicado, medicação. Cuidar de si mesma não significa cuidar menos dos outros. Significa reconhecer que, entre tantas pessoas que precisam de cuidado, você também está nessa lista.
por Dra. Ana Claudia Leichtweis
Psiquiatra
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